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Selfie… Quantas “curtidas” vale a sua vida?

Atualizado: 17 de Jul de 2018


"As autoridades querem fazer as pessoas pararem de se arriscar para impressionar amigos em Mídias Sociais" --- Foto: BBC

Um dos maiores artistas americanos, e “pai da arte-pop”, Andy Warhol profetizou nos anos 1960: “um dia, todos terão seus 15 minutos de fama" e ainda: ”a morte pode fazer de vocês estrelas (celebridades)“… Warhol foi um dos artistas mais criativos dos anos 60 e 70 que contribuiu enormemente para o mundo da arte e da cultura contemporânea em geral, sua vida e sua produção artística são objeto de inúmeras teses e todos concordam que ele, sem nenhum dado de realidade à sua época, antecipou a realidade virtual, fez apologia da fama, mas principalmente, a denunciou.


É no mundo (virtual) contemporâneo das Redes Sociais que tentaremos entender essa ambiciosa corrida pela fama, ou melhor, pelos “15 minutos de fama”, pelas centenas ou milhares de “curtidas” e “seguidores” mesmo que o preço seja a vida. É nesse contexto que falaremos das Selfies.


“Meu Reino por um tênis”… não mais! Minha vida por mil curtidas!


O ano de 2014 é considerado o ano das Selfies, é um marco para se analisar este fenômeno que só cresce em todos os lugares. Considera-se que o primeiro registro confiável de morte por Selfie foi em março de 2014. As notícias eram tão surpreendentes e assustadoras que um grupo de estudo a nível de doutorado foi criado na Universidade Carnegie Mellon em Pittsburgh (USA) para entender como aconteciam as mortes por Selfies. Em 18 meses de pesquisa (março de 2014 a setembro de 2016) catalogaram na Mídia 127 mortes pelo mundo, 60% delas foram na India (ou seja, 76 mortes) e 90% dos casos indianos aconteciam junto a águas. Nos outros países as mortes provocadas por Selfies aconteciam em precipícios, cachoeiras e montanhas e 70% das pessoas que morreram eram menores de 24 anos e eram homens. O Brasil não entrou nesta primeira lista provavelmente por falta de notícias na Mídia que passou a noticiar esses acidentes mais recentemente.


A pesquisa concluiu também que a motivação para arriscar-se em penhascos e no alto de prédios para fazer uma Selfie era basicamente impressionar seguidores nas Mídias Sociais.


Do lado Ocidental, a Russia lidera a estatística de mortes e acidentes graves com Selfies. Pessoas comuns e até mesmo fotógrafos profissionais russos cultivam perfis no Instagram e outras Redes, com milhares de seguidores, explorando basicamente fotos tiradas em altitude - no caso russo, em cima de prédios e construções muito altas e em posições extremamente arriscadas - as fotos em geral são glamorosas e muito produzidas, exercendo forte atração entre jovens. Alguns dos internautas russos “famosos” nas Redes morreram durante as fotos (em 2015 e 2016) acendendo um alerta para as Autoridades russas sobre medidas governamentais voltadas à prevenção.


"Even a million 'likes' on social media are not worth your life and well-being" - Ministério do Interior da Russia


“Mesmo um milhão de ‘curtidas’ em Mídias Sociais não valem sua vida e seu bem-estar” é o leitmotif da Campanha russa, lançada em 2015, alertando os jovens a pensar duas vezes antes de aventurar-se em situações perigosas para tirar Selfies. Fizeram um pequeno livro ilustrado além de cartazes distribuídos pelo país.


No Brasil os casos são cada vez mais numerosos (mas não dispomos de estatísticas oficiais). Além de Selfies em diversos locais de altitude em áreas urbanas, nos últimos 2 ou 3 anos jovens de Santa Catarina iniciaram uma modalidade de Selfies em penhascos e cachoeiras, denominaram essa prática de BEIRISMO e inclusive mencionam os russos dizendo que na Russia os Selfies são em prédios e aqui, entre eles, os Selfies são em belas paisagens naturais. Com isso assistimos um aumento na corrida de jovens, amantes da natureza ou do turismo de aventura, para essa prática do Selfie em beira de abismos na natureza. Alguns alertam em suas postagens que “o Beirismo deve ser feito por profissionais”, mas não existem ‘profissionais’ de Beirismo, isso não é um esporte, é uma prática extremamente arriscada, um péssimo exemplo e um dos atrativos mais perigosos para o turismo de aventura hoje no Brasil.


Montanhas, penhascos, cachoeiras, trilhas acidentadas, enfim, inúmeros locais em altitude são perigosos em si, necessitam de atenção total do visitante e o risco é muito aumentado se este se dispersa para tirar fotos, principalmente Selfies.


Desfrute de suas aventuras na natureza, essa é uma vivência sua a ser guardada na memória e no enriquecimento de suas experiências de vida e não em fotos arriscadas para compartilhar.



Fotos: Vladimir Sidorov, Ivan Kuznetsov e CC0 Lisence


#cachoeirasseguras


Russia: ‘Safe selfie’ campaign lauched by government

http://www.bbc.com/news/blogs-news-from-elsewhere-33425805


Jovens brasilienses se aventuram em monumentos públicos e cachoeiras

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2018/02/23/interna_cidadesdf,661738/jovens-brasilienses-se-aventuram-em-monumentos-publicos-e-cachoeiras.shtml


Polícia e GDF vão investigar jovens que se arriscam em monumentos

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2018/02/24/interna_cidadesdf,661985/policia-e-gdf-vao-investigar-jovens-que-se-arriscam-em-monumentos.shtml

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Waterfall Safety works to alert the public, the consumers of Adventure Tourism and Ecotourism, to the inherent risks found in the typical activities of this sector of tourism and to the need to look for information on safety when contracting services offered, when visiting National Parks or private properties that offer activities in natural environments. A security and risk awareness campaign, drawing attention to corporate and consumer responsibility, and thereby contributing to the formation of a demanding public, the basis for improvement of this industry.

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