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Caminho de Santiago:" Sin dolor no hay gloria"

Atualizado: 6 de Out de 2019

"Sin dolor no hay gloria". Esta frase encontrei no Caminho de Santiago em uma placa quando faltavam exatos 100 km para chegar a Santiago de Compostela. Concordei com ela, pois meus pés doíam e o caminho não era tão tranquilo como imaginei. Nossa Campanha por cachoeiras seguras nasceu também da dor, da pior das dores... Talvez a glória que ela nos proporcione seja ajudar a salvar vidas...


No Caminho de Santiago

O Caminho de Santiago era um desejo antigo e foi uma experiência enriquecedora. Se preparar para a caminhada de 10 dias já começou sendo o primeiro treino de força de vontade, pois andar no sol escaldante de Brasília no mês de agosto já é um desafio: são necessárias longas caminhadas pelas ruas e parques para chegar lá e conseguir fazer o percurso sem maiores percalços. Da mesma forma o treino na musculação, com algumas máquinas diferentes, comprar mochila, cajado, roupas especiais e levar só o básico... Tudo é um aprendizado. Também é difícil se livrar de pequenos apegos e confortos, pois tudo que vamos usar no caminho iremos carregar em nossas costas nas mochilas. Portanto, nada de exageros!


Placas que marcam o Caminho de Santiago

Caminho Central Português


Nós, eu e marido, fizemos o Caminho Central Português saindo da cidade do Porto/Portugal. São 240 km até Santiago de Compostela. Um caminho muito bem sinalizado e hoje um dos maiores atrativos turísticos da Europa e principalmente da Espanha. Seguindo a seta amarela com a concha, símbolo do caminho, não tem como se perder.

Vimos muita diversidade, muita história, muitos propósitos diferentes para peregrinar. As setas nos indicavam o caminho: ficar mais de 300 metros sem vê-las era sinal de que estávamos no rumo errado. Muitos fazem a peregrinação simplesmente para conhecer ou pela experiência, outros pelo trekking no famoso caminho. Vi pouca demonstração de fé... mas a fé nem sempre é demonstrada, a carregamos dentro da nós.

Caminho de Santiago

As flores surgiam o tempo todo nas casas, nas ruas, jardins e até brotando dos muros, pareciam mais resistentes que nós andarilhos. Entre as inúmeras parreiras que ladearam nosso caminho, as rosas, que eram muitas em cores e esplendor, surgiam protegendo as plantações... um deslumbre!


Caminho de Santiago

Igrejas e capelas antigas dos mais diversos Santos nos remetiam à religiosidade do caminho. Muitas cruzes também, algumas famosas como a "Cruz dos Franceses" ou "Cruz dos mortos", que assinala o local onde a população emboscou os retardatários do exército de Napoleão na invasão de 1809. Ela surge após um íngreme trecho da "Serra da Labruja", um dos pontos mais puxados ou "rasgadinhos" (expressão portuguesa) que atravessamos. As pessoas deixavam pedras nas cruzes, talvez se livrando de seus pesos espirituais; outros amarravam fitas. Na Cruz dos Franceses muitas homenagens a pessoas que se foram, muita emoção, muita reflexão. Coloquei o nome de meu filho e deixei "minhas pedras" também.


Os antigos muros e calçamentos de pedras seculares, além de judiarem de nossos pés, nos levavam à reflexão: quanta história entre eles, quantos passaram por ali... As inúmeras Pontes Romanas surgiam nas entradas das cidades ou vilarejos, outras no meio do Caminho como a "Ponte das Febres", dizem que foi o lugar onde San Telmo, exausto, faleceu.


Caminho de Santiago

As pessoas, como sempre, me despertavam curiosidade. Tinha gente de todos os países, de todas as faixas etárias. Turistas ávidos por conhecer o mundo, americanos, chineses e suas insistentes fotografias também estavam a caminhar. Casais, grupos e muitas mulheres sozinhas, adorei, nós continuamos desafiando, não temerosas!

Velhos, muitos velhos, uns tinham dificuldade para caminhar, outros passavam ligeiro como se aquilo fosse rotineiro. Lembrei de meus colegas da "Universidade do Envelhecer". Na Europa e em países ricos, o envelhecimento é mais ativo, um exemplo.

Vimos gente levando bichos, cachorros, pai carregando os filhos nas costas. Uns iam a cavalo, e inúmeros de bike, muitos brasileiros entre os ciclistas.


Caminho de Santiago

Eu levei meus filhos no coração...

Cacá se manifestava em rosas brancas, na diversidade de lugares e idiomas, em jovens viajantes. Como ele iria amar...!


Enfim, o Caminho, mais que um Caminho de Peregrinação, fé e busca foi um caminho diverso, de solidariedade e respeito, de incansáveis contatos com o famoso e cordial "Buen Camino", pelos que passavam por nós. O aprendizado da perseverança e da humildade foi necessário.

Vi que meus pés já não são mais os mesmos. Preciso tratá-los. "Sin dolor no hay glória", é verdade, não há.

Caminho de Santiago. Eu fui...

por Virgínia Miranda



Catedral de Santiago de Compostela - Galícia/Espanha

Fotos: Arquivo pessoal Virgínia Miranda


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