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Carregue seu lixo - Respeite a Natureza

Atualizado: 3 de Abr de 2019


foto: Ane de Souza, Irlanda

Educação ambiental e Turismo de Aventura


É genuína a indignação que sentimos quando encontramos lixo deixado pelas pessoas que visitam cachoeiras, trilhas, montanhas, praias, rios, ou quaisquer outros lugares na natureza. O primeiro impacto, geralmente, é estético: a feiúra, o mal cheiro, a percepção da degradação… e rapidamente vemos a deterioração, a poluição, a morte de animais e de rios, a devastação vegetal, a erosão etc.


O problema em perspectiva


O que segurança tem a ver com manutenção do ecossistema?


Não é difícil perceber que, além da preservação da beleza natural - que é o objeto atrativo no Turismo de Aventura - o lixo e a devastação decorrente dele é perigosa em inúmeros sentidos.


O lixo plástico, por exemplo, não é um problema de estética, é um problema de sobrevivência no planeta.


A indústria do plástico decolou há 70 anos. Antes dessa data a produção e difusão do uso do plástico no mundo era incipiente. As últimas pesquisas apontam que, desde então, o lixo plástico produzido nesses anos chega a 6.9 bilhões de toneladas espalhadas pelo planeta: nos mares, nos rios, nas montanhas, na periferia das cidades!


Estimativas de degradação do plástico em suas moléculas constituintes vai de 450 anos a nunca, ou seja, o acúmulo do lixo plástico, em qualquer ecossistema, é uma grande ameaça que o planeta enfrenta hoje. Dados internacionais apontam milhões de animais marinhos mortos anualmente devido ao plástico nos oceanos, seja por ingerir partículas plásticas, seja por ficarem presos em lixo plástico.


Mais assustador ainda é o que nos revela o ecologista marinho Richard Thompson - que criou o conceito de “microplástico” (microplastics) - com sua triste descoberta de partículas de plástico “quebradas” por um pequeno animal marinho, semelhante ao camarão e abundante na costa europeia, que, quando encontra plástico revestido com o lodo que é seu alimento natural, mastiga rapidamente e cospe ou excreta partículas de plástico. Uma única sacola de plástico pode ser quebrada em 1.75 milhões de fragmentos de microplástico… espalhados e já encontrados em todos os lugares (como demonstram as pesquisas): do fundo do mar aos enormes gelos flutuantes do Ártico que quando derretem lançam esses milhões de partículas na água, nas areias das praias etc. Essas partículas de plástico, além de ingeridas por animais e por nós humanos, estarão sujeiras a inimagináveis quantidades a serem acumuladas no planeta em futuro próximo.


Alguns rios, em vários países, já foram declarados biologicamente mortos devido a quantidade de plástico acumulado em suas águas (e ainda: levam esse plástico para os mares).


O plástico revolucionou a indústria e os hábitos humanos nas últimas 7 décadas, favoreceu vários setores, mas os resíduos desse estilo de vida estão agora matando os recursos naturais do planeta.


O que fazer?


Cientistas e observadores do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, chamam a atenção para a relativa facilidade da solução desse problema, no sentido de ser bem mais fácil de lidar do que problemas ambientais ligados ao aquecimento global e padrões de uso de energia, por exemplo. Propõem urgente desenvolvimento de sistemas para reciclar o lixo plástico e paralelo programa educacional da população. O desejável é, acima de tudo, uma ação responsável e sistemática de governos no desenvolvimento de projetos de reciclagem de plásticos e latas, com consequentes programas de conscientização das populações. Isso é considerado mais fácil de ser realizado do que mudanças nos padrões de uso de energia e água por exemplo.


A Comissão Europeia está apresentando (em Maio/2018) uma proposta com diretrizes para diminuir a poluição plástica nas cidades e oceanos, com a proibição de uso, na Europa, de diversos produtos plásticos descartáveis, com previsão de multas aos governos que resistirem à implementação desse programa e sugestão de campanhas educativas.


Outro exemplo edificante nesse sentido, vem da pequena cidade San Pedro La Laguna, na Guatemala, que já proibiu o uso do plástico no cotidiano dos cidadãos e está investindo em projeto de reciclagem com excelente feedback da população.




A natureza e o Turismo


Com o aumento do Turismo voltado para a natureza aumenta a preocupação quanto ao comportamento humano em locais antes intocados. Pessoas e grupos inconsequentes deixam para trás, em suas aventuras, todo tipo de lixo: plástico, latas, papéis, roupas, sapatos, bateria de eletrônicos, material de camping etc.


Espaços naturais intocados pela presença humana, mantêm ecossistemas que, além de belos, preservam as condições mínimas de vida no planeta.


O Turismo voltado para a natureza enfrenta o desafio da preservação de seu principal atrativo, ameaçado pela presença dos próprios consumidores. A solução não é tão fácil como é em um museu na cidade, onde o turista pode ser expulso ou multado se deixar uma garrafa PET nos salões do museu, ou se tirar uma foto com flash de um quadro medieval, por exemplo. As condições do Turismo na natureza dificultam a fiscalização e inúmeras pessoas vão para espaços naturais abertos, por conta própria, inviabilizando “fiscalização” como método principal de solução desse problema.


É consenso que educação ambiental é a solução mais adequada e eficiente para atingir a população, seja nas cidades, seja em espaços na natureza. Alguns biólogos reivindicam que o plástico descartável deve ser anunciado - em qualquer propaganda - como “material perigoso” e não como “material amigo da dona de casa”. Campanha massiva com esse leitmotiv certamente mudaria a visão que se tem de um copo de plástico.


Para quem frequenta lugares na natureza, a destruição de ecossistemas, que resulta também do acúmulo de lixo, gera desequilíbrio de espécies animais (maior risco de ser atacado por determinadas espécies como cobras, por exemplo), poluição das águas (risco de doenças diversas), devastação na vegetação (causando erosões e outros problemas) etc.


Não se muda comportamento humano em um piscar de olhos, não se conscientiza grandes grupos populacionais em poucos dias, nem mesmo em meses. Tanto no Brasil, quanto em outros países, observamos muitos comportamentos irresponsáveis quanto a preservação ambiental, muito lixo deixado em praias, cachoeiras e trilhas.


Paralelo a campanhas educativas será sempre necessário que exista a fiscalização e punição em reservas e parques e que a sinalização referente a objetos pessoais e proibição de abandono do lixo seja explícita. Quando falamos de segurança no Turismo de Aventura, em Gestão de Segurança em espaços naturais, o lixo gerado pelas atividades humanas nesses espaços é, certamente, um dos principais itens a considerar.


Nas montanhas mais famosas do Planeta - no Himalaya - o Nepal vem chamando a atenção dos ambientalistas: enormes depósitos de lixo oriundo do aumento no número de escaladores ocidentais que chegam ao país todos os meses vem ameaçando a paisagem paradisíaca. As Agências de Trekking não carregam o lixo acumulado por seus clientes. O diretor do Instituto de Montanhas do país afirmou em reportagem: “trinta anos atrás não existia lixo aqui; não existia plástico. Agora vemos isso em cada vila, em todas as trilhas até o Campo Base do Everest” - Alton Byers


Consciência ambiental é segurança, é vida!


- Respeite a natureza e carregue seu lixo, sejam objetos descartáveis de plástico, sacolas plásticas, embalagens de alimentos, pregos de barracas, baterias, cordas, tecidos, latas, garrafas de vidro ou PET... leve tudo o que trouxe.


- Não deixe nada em cachoeiras, trilhas, montanhas, praias, rios ou qualquer outro espaço natural que você visite!


- Não arranque plantas ou flores e não perturbe os animais.


- Limite o que você vai levar consigo e deixe tudo limpo atrás de si.


#cachoeirasseguras




imagens: under CC0 License, exceto a do cabeçalho, de Ane de Souza

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Links:


- UE planeja medidas abrangentes contra lixo plástico -> http://www.dw.com/pt-br/ue-planeja-medidas-abrangentes-contra-lixo-pl%C3%A1stico/a-43952665


- Uma cidade sem plástico: conheça a "revolução" de San Pedro La Laguna -> http://www.dw.com/pt-br/uma-cidade-sem-pl%C3%A1stico-conhe%C3%A7a-a-revolu%C3%A7%C3%A3o-de-san-pedro-la-laguna/av-42193025


- Himalayas in danger of becoming a giant rubbish dump -> https://www.theguardian.com/environment/blog/2011/sep/12/himalayas-waste


- There’s literally a ton of plastic garbage for every person on Earth -> https://www.washingtonpost.com/news/energy-environment/wp/2017/07/19/theres-literally-a-ton-of-plastic-garbage-for-every-person-in-the-world/?noredirect=on&utm_term=.3f0856a704cd

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#cachoeirasseguras  #waterfallsafety

Cachoeiras Seguras procura alertar o público, os consumidores do Turismo de Aventura e Ecoturismo, para os riscos inerentes às atividades típicas desse turismo e para a necessidade de buscar informação sobre segurança quando contratarem serviços oferecidos, quando visitarem parques naturais ou propriedades privadas que oferecem atividades na natureza. Uma campanha de conscientização de segurança e risco, chamando a atenção para a responsabilidade empresarial e dos consumidores e que, por isso mesmo, contribui para a formação de um público exigente, base para a melhoria no setor.

 

 

Waterfall Safety works to alert the public, the consumers of Adventure Tourism and Ecotourism, to the inherent risks found in the typical activities of this sector of tourism and to the need to look for information on safety when contracting services offered, when visiting National Parks or private properties that offer activities in natural environments. A security and risk awareness campaign, drawing attention to corporate and consumer responsibility, and thereby contributing to the formation of a demanding public, the basis for improvement of this industry.

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