• Cachoeiras Seguras

"Descaso nas artes, na segurança, na educação..."

Atualizado: 28 de Ago de 2018

Assim desabafa a coreógrafa e bailarina Gisele Santoro em uma conversa descontraída com Virgínia Miranda, em evento de dança em Brasília.


Teatro Nacional Claudio Santoro - Brasília-DF

Gisele Lóise Serzedello Corrêa Santoro, bailarina e coreógrafa, é responsável por um dos eventos de dança mais elogiados do país, o Seminário Internacional de Dança de Brasília. Referência internacional, o festival reúne tanto a nata do Balé Clássico, quanto da Street Dance. Ela é Coordenadora artística e Diretora do festival desde sua primeira edição.


Viúva do Maestro Claudio Santoro e profissional da dança há décadas, Gisele Santoro conhece bem o esforço enorme exigido aos que, como ela, se empenham em uma trajetória de vida dedicada às artes no Brasil. Para realizar o Seminário de Dança ela teve que lançar mão de recursos próprios. "No Brasil, o descaso é grande e com tudo: com as artes, com a segurança no turismo, com a educação, que é a base de tudo", lamenta. Sempre foi assim em sua longa carreira: desde os anos 1960, projetos de criação de Escolas de Dança, apoiados por governos, foram sistematicamente negligenciados, obrigando-a a efetiva-los com seus próprios recursos. Reconhecida internacionalmente, como bailarina e como Maître-du-Ballet, Gisele trabalhou em mais de 10 países, recebendo inúmeras premiações. Conviveu com grandes bailarinos internacionais e nacionais, conhece bem os percalços dos que seguem esse caminho.


Em recente evento de dança em Brasília, ela se interessou por um de nossos cartazes de divulgação da Campanha #cachoeirasseguras.


Gisele Santoro - Brasília-DF

Não nos surpreende sua curiosidade sobre a Campanha: Gisele e Claudio Santoro sempre cultivaram um interesse genuíno pelas causas sociais. Claudio Santoro era socialista (assim como Gisele), nos anos 1940 foi do Partido Comunista Brasileiro, estudou e trabalhou em diversos países europeus, inclusive do Bloco Soviético, conhecendo e cultivando amizade com os grandes compositores russos, como Igor Strasvinski e outros, sendo influenciado por eles. Foi fundador do Departamento de Música da Universidade de Brasília (UnB) nos anos 1960 e na Ditadura Militar foi exilado (convidado pela Alemanha, viveu em algumas cidades desse país. Mesmo antes do exílio, o casal conhecia e convivia com os maiores nomes da música clássica e da dança do século XX). Claudio Santoro foi um compositor conhecido e aclamado desde os anos 1940, sua obra é objeto de estudo de teses acadêmicas.


De volta do exílio em 1979, o casal Santoro enfrentou diversas dificuldades, inclusive financeiras, e finalmente retornaram a suas respectivas atividades, na música e na dança em Brasília. Claudio fundou a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional de Brasília, entre outras atividades, e Gisele dedicou-se à fundação da Escola Profissional de Dança e criação do Seminário Internacional de Dança.


Apesar das inumeráveis premiações e condecorações recebidas por cada um deles internacionalmente, suas trajetórias profissionais foram marcadas por dificuldades dentro do Brasil, reflexo direto da fragilidade política e desinteresse pelas artes no país. Ambos, assim como seus 3 filhos também dedicados à dança e música, conhecem bem a negligência a que são sujeitos os artistas e seus projetos profissionais.


Teatro Nacional Claudio Santoro


O reconhecimento da genialidade do Maestro Claudio Santoro veio tardio, logo após seu prematuro falecimento em 1989, no palco, regendo a orquestra que criou. O Teatro Nacional de Brasília, obra de Niemeyer, foi fundado em 1958, levando anos para ser completado devido à sua complexidade arquitetônica e tecnológica. Em 1989 teve seu nome oficialmente mudado, em homenagem a Claudio Santoro, passando a se chamar Teatro Nacional Claudio Santoro.


Infelizmente, esse teatro, que é ícone das Artes em Brasília, está fechado para reforma desde 2014, funcionando apenas o Foyer de uma de suas salas, a Sala Villa-Lobos.


Agradecemos muitíssimo o interesse e o apoio de Gisele Santoro na divulgação de nossa Campanha, especialmente por vir de uma pessoa cuja vida é exemplo de generosidade e olhar voltado para as questões sociais. Uma pessoa que sabe a importância da segurança, da educação e da difusão cultural na formação humanitária de uma população. Esse é um tripé que fundamenta as sociedades democráticas e pelo qual lutamos. Nossa causa é específica - segurança no Turismo de Aventura - mas ela está contextuada na ideia de uma sociedade mais humana para todos.


Maestro Claudio Santoro e Teatro Nacional Claudio Santoro (Brasília-DF)


Sobre Gisele Santoro:

http://wikidanca.net/wiki/index.php/Gis%C3%A8le_Santoro


#cachoeirasseguras

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