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História de uma foto - Cachoeira da Fumaça

Atualizado: 5 de Abr de 2018


Chapada Diamantina


O fotógrafo baiano Rui Rezende conta a história de como conseguiu fotografar a Cachoeira da Fumaça, na Chapada Diamantina, pacientemente voltando ao lugar inúmeras vezes e esperando pela ‘boa luz’. Acima das exigências técnicas, ele costuma falar das emoções e transformações em sua vida, nos 13 anos que frequentou a Chapada para realização do trabalho fotográfico que contemplou toda a região: “muita dedicação, amor e superação; sede, fome, frio e calor… a emoção de flagrar um animal após ter ficado esperando durante horas em uma posição incômoda… a companhia de guias, garimpeiros, catadores de sempre-vivas, caçadores, seus “causos”, seus medos e “livrusia” (assombração), medo de cobra, de onça… eu me diverti muito com tudo isso!”


Voltar ao mesmo lugar 10, 20 ou até 30 vezes para fazer uma foto:


“A Cachoeira da Fumaça é um dos lugares mais incríveis da Chapada Diamantina. Estar próximo a seus paredões nos faz imaginar o quanto somos pequenos diante da natureza. Foi o lugar a que dediquei mais tempo para fotografar. Suas águas são muito vulneráveis e dependem de fortes chuvas para terem um bom volume. Lá o sol só ilumina todo o paredão até 11h30min da manhã, em uma pequena parte do ano. No entanto, em dia de temporal, é muito raro o sol aparecer até este horário. O mais comum é que a área fique repleta de névoa. Por esse motivo, para conseguir a foto, tive que ir ao local muitas vezes. Quando chovia forte, eu pegava a minha moto ou o carro e rapidamente percorria os 240 quilômetros que separam Iramaia (onde eu morava) do Vale do Capão. De lá caminhava durante 6h, levando mais uma ou duas pessoas, comida para três ou quatro noites e equipamento para acampar… Eu, Alex e Bura (companheiros de trilha) pacientemente ficávamos ali, esperando o sol sair e ele até aparecia, às vezes, só que depois do meio-dia, quando ficava na posição contra-luz. Depois de dois ou três dias sem chuva, o grande volume de água acabava e não adiantaria mais esperar. A missão era voltar para casa e esperar por outra forte chuva. E assim fiz algumas vezes… Por volta das 11h da manhã, quando ninguém esperava, um raio de sol penetrou por entre as nuvens densas e por frações de segundos lançou uma forte luz, exatamente sobre a cachoeira, como um presente divino” - Rui Rezende (fotógrafo)


- fonte: “Chapada Diamantina - Um Paraíso Desconhecido”, de Rui Rezende - edição bilingüe português/inglês



P.S. A Cachoeira da Fumaça é a segunda mais alta do Brasil (340m) e deve ser visitada com guias; existem mais de uma trilha de acesso, algumas rápidas e fáceis, algumas longas, de dias, que exigem preparo.


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