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Niagara Falls, mitologia indígena e turismo

Atualizado: 6 de Abr de 2018


Niagara Falls - lado canadense

Os Iroqueses vivem há milênios nas terras que hoje vão de New York a Ontário (Canadá).


Ao longo da história, em dado momento, várias etnias ou nações indígenas juntaram-se em uma Confederação (Iroquois ou Haudenossaunee) e passaram a viver democraticamente sob um mesmo governo. Eram os povos Seneca, Cayuga, Onondaga, Oneida, Mohawk e Tuscarora. Benjamin Franklin chegou a se inspirar no modelo de nação Iroquois para elaborar a Constituição dos Estados Unidos da América.


Esses povos viviam da caça, coleta, agricultura e pesca nos rios da região, inclusive o Niagara River (Rio Niágara). Suas cosmologias incluem mitos ligados a essas águas e muito especialmente à Niagara Falls, morada do Deus Trovão.


Existem controvérsias sobre quem teria sido o primeiro “homem branco” a ver as Cataratas do Niágara (Niagara Falls). Poderia ter sido Samuel de Champlain em 1604, ou muitos outros que se seguiram em 1669, 1679, 1688, 1721 e que deixaram escrito seus espantos com a força e beleza da Cachoeira do Rio Niágara. Esses eram anos de conflitos pela dominação territorial: nativos, ingleses e franceses guerreavam em busca da hegemonia na região e então temos o contexto para entender a manipulação que os europeus conquistadores fizeram da imagem dos indígenas americanos que estavam conquistando. Eles precisavam passar a ideia de que se tratava de povos brutos, de selvagens que não mereciam simpatia e assim difundiram uma versão deturpada do mito mais famoso ligado às Cataratas do Niágara, mito esse divulgado até nossos dias pelas agências de turismo em atividade.


A empresa The Maid of the Mist, principal empresa turística das Cataratas do Niágara, lançou sua primeira embarcação em meados do séc. XIX e atua até hoje levando turistas em passeios na base das Cataratas, contando a lenda da Princesa LeLawala, a Princesa do Niágara ou the Maid of the Mist (a Donzela da Névoa).


Na versão européia do mito, LeLawala foi oferecida ao Deus Trovão em um ritual de sacrifício humano realizado pelos índios Iroqueses. Foi jogada na queda d’água do Niágara para satisfazer o Deus que, do contrário, trazia infortúnios para os indígenas. Essa versão foi criada no séc. XVII para passar a ideia, na Corte Européia, de que os índios eram selvagens que praticavam sacrifícios humanos e que, portanto, mereciam ser conquistados e civilizados.


Os Iroqueses têm outra versão desse mito - um dos mais importantes de sua cosmologia - e sempre protestaram contra a versão distorcida e perpetuada pela população local e pela indústria do turismo.


A versão dos indígenas:


A Princesa LeLawala ficou viúva muito cedo, não aceitava a morte do marido e vivia submersa em imensa tristeza, até que um dia resolveu suicidar-se. Dirigiu-se às Cataratas do Niágara (Niagara Falls) e jogou-se em suas águas. O Deus do Trovão - que mora dentro da Catarata - salvou-a e levou-a para sua morada, atrás da queda d’água. Lá, ele e seus filhos cuidaram de seus ferimentos e lhe passaram ensinamentos. Depois de algum tempo, LeLawala apaixonou-se por seu filho mais novo e casaram-se. Quando necessário, ela retorna a seu povo em terra, levando os conhecimentos adquiridos.


Existem várias versões desse mito entre os indígenas, com pequenas variações, mas nenhuma menciona sacrifício humano.


Essa lenda é considerada sagrada para os povos Iroqueses. Para os antropólogos que estudam suas culturas, ela é a demonstração do papel central da mulher na cultura Seneca (Iroqueses). As mulheres detêm papéis críticos e de responsabilidade no governo e na comunidade. Os Iroqueses têm profundo respeito pela santidade do papel da mulher na criação da vida e isso os motivaram a ser um dos primeiros povos a tratar igualmente homens e mulheres. Sacrifício humano ou sacrifício de donzelas é algo impensável na cosmovisão dos Iroqueses.


Recentemente, delegação de indígenas Iroqueses, e de antropólogos, conseguiram que a empresa Maid of the Mist pare de divulgar a versão errônea e europeizada desse mito que lhes é sagrado.


Niagara Falls é provavelmente a queda d’água mais visitada por turistas em todo o mundo. Sua extensão e a beleza de suas águas tem atraído o mundo ocidental nos últimos 300 anos, assim como atrai os indígenas há milênios. Algumas estimativas afirmam que em torno de 5.000 (cinco mil) corpos já foram encontrados no pé das Cataratas desde 1850. Cerca de 40 pessoas morrem afogadas anualmente e muitas delas por suicídio (alguns estudos apontam que 70% das mortes são por suicídio).


Os governos dos Estados Unidos e do Canadá promovem programas de orientação e prevenção de acidentes no local e são rigorosos nisso, conseguindo fazer frente ao enorme contingente de pessoas que visitam Niagara Falls anualmente (na casa dos milhões).


"Maid of the Mist", embarcação de turismo

Cataratas do Niágara (Niagara Falls) - no Rio Niágara, na divisa entre Estados Unidos (New York) e Canadá (Ontário), composta por 3 quedas. Além do turismo, é fonte de energia (hidrelétrica) e detém um projeto de preservação ambiental vigoroso.


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