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Tragédia em Capitólio - Minas Gerais

Desabamento do cânion em 08 de Janeiro de 2022


Capitólio - Minas Gerais

por Virgínia Miranda


Nem sempre podemos apontar culpados de imediato, como tendemos a fazer sempre que algo ruim acontece, e principalmente, quando vidas são perdidas em acidentes.

O manejo ambiental em lugares turísticos, que sabemos é falho em todo o país, se fosse mais efetivo talvez evitasse acidentes como o do último sábado, 8/Jan/2022, em Capitólio/MG, no qual morreram oficialmente 10 pessoas. Depois de um acidente improvável (ou não) como esse, nos damos conta de que estamos há anos luz de um turismo mais sustentável e menos arriscado.


Estive lá no ano de 2019, achei vulnerável a segurança nos passeios de lanchas, que não exigiam coletes salva vidas - recurso mínimo para segurança em barcos - e o acesso aos mirantes dos cânions não tinha sinalização, as barreiras de contenção eram de plástico, frágeis e com estrutura muito precária! No entanto, apesar de perceber grandes falhas na segurança, nunca imaginei que uma parede de pedra fosse despencar sobre o lago, sobre os barcos... e matar! Esse acontecimento trágico é um alerta importante para que sítios turísticos como Capitólio tenham perícia geológica periódica, só assim poderemos ter previsão mínima de segurança em locais que têm rochas, morros e falésias, entre outros elementos geológicos que ofereçam riscos.

Na natureza nada é exato e estamos usufruindo dela de forma invasiva e descuidada. Além de ser atitude perigosa para nós, é destrutiva da própria natureza. Em Capitólio há excesso de lanchas que poluem e fazem barulho; a música alta, a super lotação e manobras arriscadas são constantes. Falta controle, fiscalização e legislação adequada.


A nós usuários/cidadãos resta nos cuidarmos e zelar pelo meio ambiente, respeitando mais a natureza, os mares, lagos, encostas, rios e cachoeiras, principalmente em períodos chuvosos, e também ficar atentos aos sinais de que algo está errado quando estivermos nestes ambientes. As pedras caindo dos paredões de Capitólio foram um indício de perigo iminente, mas nem todos perceberam o sinal. A música estava alta! Não viram e nem ouviram... e o preço dessa atitude descuidada e irresponsável foi altíssimo para todos: os que se foram, suas famílias, os profissionais envolvidos, a natureza, a sociedade!



Capitólio, um lugar paradisíaco, mas que carece de gestão de segurança

Capitólio: acesso aos mirantes precário e nenhuma segurança nos mirantes

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- O Site Férias Vivas tem uma excelente análise desta tragédia, com elementos técnicos, sugerimos a leitura: https://www.feriasvivas.org.br/afv-planejamento-capitolio/


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Ilustrações: arquivo pessoal de Virgínia Miranda

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